RESPOSTA A MISTER GREG, VICE “CAPO” DA MPAA

Conforme notícia divulgada no último dia 16, o cidadão norte americano, mister Greg Frazier, vice-presidente executivo da Associação Cinematográfica dos EUA (MPAA, na sigla em inglês), após visitar nossas “autoridades” em São Paulo e Brasília para pressionar autoridades locais por maior atenção no combate à pirataria, de forma que considero no mínimo desavergonhada, informou, ou melhor, confirmou, algo que nós brasileiros e brasileiras até já sabíamos, ou seja, que não faz parte do imenso rol de interesses do conglomerado: “Democratizar a cultura…

Diante da notícia, como militante do movimento cineclubista brasileiro e internacional, penso ser necessária uma manifestação sobre o que foi dito por este senhor e início registrando que acredito talvez ele jamais tivesse a coragem e ousadia de fazer um discurso com este teor em qualquer um dos outros quatro países participantes do tal BRICs, sob pena de ser convidado a se retirar de seus territórios nacionais.

Mas, estamos no Brasil e, parece que, mais uma vez veremos nossos “dirigentes”, engolirem a seco mais um sapo. Aliás, e o que é pior, no quadro atual muitos deles parece concordar com as idéias estapafúrdias e equivocadas do referido cidadão. E assim seguimos.

Confesso, porém que tendo apoiado, feito campanha voluntária e votado em Dilma, acreditando num discurso de continuidade, fortalecimento e aprimoramento das políticas públicas de cultura, de inclusão e acesso da imensa maioria da população brasileira totalmente excluída da fruição de arte e de acesso aos de bens culturais, estou no mínimo perplexo com a situação que desde sua posse estamos vivendo.

Afinal, a cada dia, infelizmente o que vejo, ao menos nas questões que dizem respeito ao setor cultural, é um continuo e cada vez mais virulento ataque aos legítimos interesses do povo e da nação brasileira. Ataques promovidos por gente que se diz brasileira, mas que na verdade representa interesses alienígenas. Interesses de conhecidas e poderosas corporações transnacionais, cujos objetivos são até mesmo mais nefastos do que aqueles assumidos de maneira escancarada, desavergonhada e tranqüila pelo “capo” Greg Frazier

E tudo isso num quadro de total complacência, frouxidão e inação, quer de nossas “lideranças políticas”, quer de nossos “gestores governamentais” e com total cumplicidade de alguns também conhecidos e poderosos “brasileiros e brasileiras” que sempre se sentiram alegres, satisfeitos e totalmente conformados, com o papel de capachos, de agentes a serviço dos interesses “imperialistas”.

Mas realmente, o que começo a sentir como ainda mais grave, é que para além do silêncio solene e suficientemente subserviente de “nossas” lideranças, sinto também que nossa surpresa e perplexidade diante do cenário que nos foi oferecido no pós Lula, determina entre nós um desânimo tal, suficiente até para que muitos se mostram dispostos a enrolar as bandeiras, deixar prá lá e ir cuidar da própria vida.

Enquanto isso, nossos algozes avançam mais e mais, se organizam, se fortalecem e, rapidamente, vão desconstruindo tudo aquilo que conquistamos ao longo dos últimos oito anos através de um contínuo processo de consulta, debate e verdadeira parceria que construímos entre o governo, a classe artística, autores, criadores e entidades da sociedade civil objetivando a  implantação de políticas públicas de cultura, verdadeiramente republicanas e democráticas, favoráveis à cultura e a criação de instrumentos de acesso a imensa maioria da multidão de brasileiros excluídos.

Assim, que me desculpem os desanimados. Mas não é hora de lamentações. Nem de “enrolar” as bandeiras. E muito menos de deixar prá lá, prá ver como é que fica.

É hora de reação. De união. De mobilização. De ação!

É hora de deixar muito claro prá essa gente que não vamos entregar tão fácil assim a rapadura. E que tudo o que está sendo agora feito, ou melhor, desfeito, terá sim conseqüências. E que elas serão bem maiores do que pensam ou que sequer imaginam.

Portanto: Mobilização e Ação, JÁ!

Quanto ao dito pelo “capo” Greg Frazier, minha resposta é curta e grossa. Resume-se a imagem abaixo, já acima publicada, republicada em formato ainda maior:

Afinal continuo concordando com o genial Paulo Emílio Salles Gomes que dizia mais ou menos o seguinte:

“O pior filme brasileiro me diz muito mais do que qualquer filme hollywoodiano!”

Viva a cultura brasileira.

Viva o cinema e o cineclubismo brasileiro!

E vamos à luta.

Saudações Cineclubistas

João Baptista Pimentel Neto
Observatório Cineclubista Brasileiro

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