3° Festival de Cinema de Triunfo

Terminou ontem a terceira edição do Festival de Cinema de Triunfo. O que mais chamou a atenção foi a seleção dos filmes concorrentes, bastante equilibrada com produções de diversos cantos do país. A variedade também estava nos temas, formatos e propostas dos filmes. Animação, ficção, documentário..tinha muita coisa boa pra se ver. Gostaria de destacar as produções mais simples, no que se refere ao formato da narrativa, mas que trouxeram à tona temas tocantes como preconceito, infância,religiosidade e relacionamentos (familiares, amorosos…).

Com essas características, chamaram a atenção do público curtas como Laurita (2009/SP/direção:Roney Freitas), história tocante sobre uma menina instrospectiva e tímida que está entrando na adolescência, que trata essa fase da vida de uma forma bastante sutil e nada clichê. Rec, pause (2009/SP/direção: Bruno Carneiro), que também tem como tema subjacente a infância, mas se foca em confllitos familiares captados por acidente por uma câmera de vídeo. As cenas inicias do curta, mostram uma festa de aniversário infantil de uma maneira tão poética, que aos poucos quando a temática vai se revelando ao público, ficamos chocados com as afirmações dos protagonistas, extremamente desconcertantes para o contexto da situação.

Na mesma linha “dilemas da juventude” vai O coração às vezes pára de bater, de Maria Camargo (2009/RJ). Protagonizado por adolescentes em situações corriqueiras do cotidiano, como andar de skate, a diretora consegue discutir temas “adultos” como morte, responsabilidade e respeito ao outro. Um filme belíssimo muito aplaudido pela população local. Por último, gostaria de lembrar Ave maria ou mãe dos sertanejos de Camilo Cavalcanti, que levou o prêmio de melhor fotografia. O filme não tem uma fala sequer, mas consegue através de belas imagens, retratar a verdadeira devoção que envolve o momento em que toca a Ave maria, nas rádios locais. A música-reza (o seria reza-cantada?), interpretada por Luiz Gonzaga transfere para as cenas captadas no cotidiano dos sertanejos pernambucanos um sentido quase místico, da relação do povo do interior com a religião. Percebemos que a chamada religiosidade do sertanejo não é somente um clichê histórico-cultural. Ainda em relação aos curtas é impossível não falar de Recife frio. O filme de Kléber Mendonça é provocativo, satírico, bem produzido, e tem um roteiro pra lá de inteligente. Tem arrebatado diversos prêmios em festivais pelo resto do Brasil e em Triunfo não foi diferente. Ganhou melhor direção e roteiro de curta-metragem, melhor filme pelo júri popular e ainda melhor filme para reflexão, concedido pela FEPEC. O protagonista do filme foi pego desprevinido pela quantidade de prêmios que precisou receber (Kléber Mendonça está filmando O som ao redor, seu primeiro longa e não estava presente), e ensaiou até uma imitação do próprio Kléber, brincando com o discurso de agradecimento.

Confira todos os premiados aqui.

Longas – Entre os longas, o que mais me chamou a atenção foi Patativa do Assaré – Ave Poesia, dirigido por Roserberg Cariry, filho de Patativa. Confesso que conheço pouco a poesia do cearense, mas o filme constrói através dos depoimentos uma imagem tão forte e emotiva de Patativa que é impossível não se sensibilizar. Teve gente chorando na sessão. Sobretudo nos momentos em que o próprio aparecia recitando versos bem construídos, que tratavam de uma infinidade de assuntos, que iam desde o amor pela mulher ou a morte da filha, até corrupção política. O grande mérito do filme é descortinar o universo rico da obra de Patativa, sem cair na forma fácil dos documentários que costuram um sem-número de depoimentos, datas e fatos, deixando o público entediado. Além disso, conta a história do poeta com extrema sensibilidade. Levou pra casa uma menção honrosa da Fundarpe e o prêmio de melhor pesquisa de longa-metragem. Por fim, fica aqui o agradecimento à cidade de Triunfo e aos seus moradores, pela hospitalidade e simpatia. Uma cidade pra lá de charmosa, escondida no sertão do Pajeú.

Ludimilla Carvalho

Estudantes de Triunfo realizam mostra especial no 3º Festival de Cinema da cidade

Os jovens também formaram um cineclube para discutir o conteúdo das exibições 

Neste sábado (7), a partir das 19h, estudantes da rede pública de ensino de Triunfo promoveram a Mostra Realizando em um Minuto. O evento foi fruto de uma das oficinas da qual os jovens participaram durante a terceira edição do Festival de Cinema de Triunfo. Os videastas mirins produziram seis filmes de um minuto em menos de uma semana, sob a coordenação da cineasta pernambucana Alice Gouveia. A mostra foi exibida no Theatro Cinema Guarany, mesmo local por onde passaram os 44 filmes selecionados para as mostras competitivas do Festival.

Na lista de curtas que serão exibidos, estão: Recomeço; Flor; Decisão; Casca; Acontece; e Desconhecido. “Na oficina a gente aprendeu a fazer filme, editar, a ser ator e atriz. No começo, eu não tinha idéia do que iria acontecer na oficina. Mas enfrentei o medo do desconhecido e aprendi que a gente tem que aproveitar as oportunidades que a vida oferece”, diz a estudante Maria de Fátima, de 15 anos. Nos roteiros, histórias sobre sentimentos, diversão e o perigo das drogas, problema que a cidade vem enfrentando há algum tempo. “As drogas estão muito presentes na região. Talvez o filme ajude a refletir sobre esse problema”, diz a estudante Laisse Pereira, de 15 anos, que, dentro da oficina já atuou como atriz e produtora.

E reflexão é uma das propostas do cineclube criado essa semana na cidade pelos estudantes estimulados pela oficina “Criação e Manutenção de um Cineclube”, realizada pela Federação Pernambucana de Cineclubismo, dentro da programação do 3º Festival de Cinema de Triunfo. Na última quinta-feira (5), os jovens promoveram uma sessão especial de cinema com debate após a exibição. “O cinema não é só para você assistir e deixar pra lá. Ele é feito para pensar e ser discutido em grupo. Quando a gente faz um debate, a gente aprende a formar a nossa opinião. Nós pretendemos levar o cineclube adiante, realizar sessões fixas de cinema na cidade, promover discussões e movimentar o audiovisual de Triunfo”, diz o estudante Emerson Miguel, de 15 anos.

Fonte: http://www.fundarpe.pe.gov.br

Postado por Cineclube da Laia às 10:26

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